Publicado em 22/10/18 às 05:00

Pressionada pela variação cambial e aumentos de matérias-primas, a indústria do plástico busca alternativas para melhorar suas margens. Exportações e investimentos em eficiência na linha de produção são algumas das soluções encontradas pelas empresas.

“As principais matérias-primas possuem componentes importados ou, ainda que produzidas no Brasil, têm preços internacionais. O impacto é de 40% a 70% no valor total da produção e fazer o repasse de preço é extremamente difícil”, afirma o presidente da Associação Latino-Americana de Materiais Compósitos (Almaco), Gilmar Lima.

O dirigente afirma que em termos de volume, o desempenho do setor está sendo positivo. “Melhorou esse ano, deve crescer 9%, mas sobre uma base fraca e com margens apertadas. A indústria de transformação sofre mais, fica pressionada entre grandes fornecedores e clientes.”

Na visão de Lima, as empresas têm que buscar exportar mais. “É preciso olhar para fora e buscar novos mercados para minimizar esses altos e baixos. Senão, vai ser sempre a mesma história. Essa instabilidade política vai existir em qualquer tempo.”

Outra alternativa é investir em desenvolvimento de produtos. “O setor sempre tem que trabalhar nesse sentido, buscar materiais alternativos e investir em pesquisa e pessoas”, avalia Lima.

A diretora da RadiciGroup no Brasil, Jane Campos, afirma que a matéria-prima tem um impacto de 70% no custo de produção. “Essa oscilação causa perdas cambiais, mas temos um controle rigoroso de margem. É muito difícil fazer o repasse, negociamos com o cliente.” A empresa italiana fabrica poliamidas, fibras sintéticas e materiais plásticos e fornece para o setor automotivo, de embalagens e elétrico.

Entre 2017 e 2018, a empresa investiu R$ 13 milhões em sua unidade em Araçariguama (SP). “Expandimos a produção em 50%, atingindo cerca de 20 mil toneladas por ano. Crescemos 20% no ano passado e devemos crescer 10% em 2018”, prevê a executiva. Ela conta que nos últimos anos, o mercado como um todo diminuiu no Brasil e Radici ganhou participação de mercado. “Temos 18% de share. Hoje, temos quatro grandes empresas nesse segmento e sobraram poucas brasileiras pequenas, que devem se fortalecer atendendo à demanda de clientes pequenos.” Ele destaca que o setor automotivo vivia bom momento, mas perdeu ritmo pela queda de exportações para a Argentina. “O setor alimentício também vinha bem, caiu um pouco agora por questão de sazonalidade. Já o setor elétrico está em queda, devido ao momento da construção civil.”

Consumo mornoO diretor de reestruturação (CRO) do Grupo Jorge Zanatta, Leandro Buciani, revela que há um trabalho interno de redução de custos para minimizar os impactos do câmbio. “As margens estão pressionadas. O ano está sendo positivo em receita, mas é desafiador.”

O grupo é composto por duas empresas: Imbralit, fabricante de telhas de fibrocimento e caixa d’água de plástico, e a Canguru, que atua no mercado de embalagens flexíveis. Ambas as companhias estão sediadas em Criciúma (SC). “Sentimos um mercado morno nas duas empresas, não é tudo que está andando. Crescemos por meio de investimento em marketing, inovação e novos produtos”, conta Buciani.

De acordo com o executivo, a Canguru é mais impactada pelo aumento da matéria-prima. “A empresa sente diretamente o preço da resina e as indústrias não conseguem repassar. É preciso fazer um trabalho de recuperação de margem.” Na percepção de Buciani, o mercado está parado em função das eleições.

“Os investidores estão esperando o que vai acontecer, qual será o norte do País. Na Canguru, fizemos pequenos investimentos nesse ano em modernização de máquinas, mas estamos aguardando 2019 para algo maior.” O grupo faturou R$ 146 milhões no primeiro semestre, 38% superior a igual período do ano passado. “A perspectiva é de faturamento bruto de R$ 350 milhões em 2018”, diz Buciani.