Aumento de tarifa da usina nuclear de Angra 3 é positivo para Eletrobras, diz Moody’s

outubro 15, 2018 No Comments »
Aumento de tarifa da usina nuclear de Angra 3 é positivo para Eletrobras, diz Moody’s
*Folha de S. Paulo

Novo preço foi anunciado pelo governo na última terça (9), com objetivo de retomar obra parada

15.out.2018 às 10h35
SÃO PAULO

aumento da tarifa da usina nuclear de Angra 3, anunciado na semana passada pelo governo, foi considerado positivo para o crédito da Eletrobras, segundo a agência de risco Moody’s.

A ideia é retomadas as obras, que estão paralisadas. Alvo da Operação Lava Jato, o projeto precisa de cerca de R$ 15,5 bilhões em investimentos.

“Essa ação eleva o crédito da Eletrobras porque vai elevar o fluxo de geração de caixa a partir dessa nova usina nuclear, além de dar um incentivo maior à Eletrobras para completar a construção”, diz o relatório da agência.

“A tarifa mais alta também tem potencial de criar uma solução de longo prazo para os passivos de Angra 3. A Eletronuclear tem negociado com credores como o BNDES, a Caixa Econômica Federal, para adiar o cronograma original de pagamentos das amortizações da dívida, já que a geração de caixa foi adiada”, afirma ainda a Moody’s.

Em junho de 2018, o projeto acumulava cerca de R$ 5,3 bilhões de empréstimos bancários pendentes, dos quais R$ 3,6 bilhões são garantidos pela Eletrobras e R$ 1,7 bilhão pelo governo federal brasileiro.

A ideia é incluir a usina no programa de concessões do governo federal e buscar parceiros para concluir a obra.

A Eletronuclear, estatal responsável pelo setor, já assinou parcerias com empresas da China, da França e da Rússia para estudar o projeto.

A tarifa será ampliada para R$ 480 por MWh (megawatt-hora), o dobro do previsto originalmente. O governo espera, porém, que o valor possa ser reduzido em uma licitação para definir o parceiro.

Em nota, o MME (Ministério de Minas e Energia) defendeu que a usina vai reduzir a necessidade de térmicas com maior custo. A nova previsão é que o projeto comece a gerar energia em 2026, 11 anos depois do previsto quando os contratos foram assinados, em 2009.

As obras de Angra 3 foram paralisadas em 2015 após divergências entre os consórcios responsáveis pela construção e a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras responsável pela operação do parque nuclear brasileiro.

Na época, as empresas já eram investigadas pela Operação Lava Jato, que levou à prisão em 2016 o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, condenado a 43 anos por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação criminosa.

“A decisão do conselho [pela retomada com tarifa mais cara] levou em conta a necessidade de o Brasil implementar uma matriz energética cada vez mais limpa, robusta e com preços justos”, disse o MME, em nota distribuída nesta quinta.

Quando os contratos foram assinados, o custo estimado era de R$ 13,7 bilhões, em valores corrigidos pela inflação. Até o fim de 2017, a Eletrobras já havia provisionado perdas de R$ 12 bilhões com o projeto.

Angra 3 tem capacidade de 1.405 MW (megawatts). É terceira do primeiro programa nuclear brasileiro, iniciado na década de 1970 – as outras duas estão em operação.

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