Braskem aumenta preços de resinas em outubro

outubro 4, 2018 No Comments »
Braskem aumenta preços de resinas em outubro
*Valor
Por Stella Fontes | De São Paulo

A Braskem, maior fabricante de resinas das Américas, anunciou novo aumento de preços para o polietileno (PE) e para o polipropileno (PP), com aplicação neste mês, segundo transformadores plásticos. Desta vez, os reajustes vão de 5% a 10%, ou R$ 300 para a tonelada de PE e R$ 600 por tonelada no PP.

Os aumentos dos preços em reais das principais resinas termoplásticas têm sido praticamente mensais em 2018, diante da valorização do dólar frente ao real e do avanço dos preços do petróleo. No ano, o óleo Brent acumula alta de 28%, para cerca de US$ 85 o barril. Tradicionalmente, a valorização do petróleo se reflete em aumento dos preços internacionais de derivados e das resinas petroquímicas.

Desde o início do ano, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) a partir de relatórios de consultorias internacionais, o aumento dos preços no mercado brasileiro chega a 28% no caso do polietileno de alta densidade (PEAD), 29% para o PP e 36% no PVC.

A entidade diz que não há espaço para reajustes em 2018, uma vez que a transformação tem sido incapaz de repassar o aumento de custos também por causa do ambiente econômico doméstico desafiador. “Em um mercado repleto de micro e pequenas empresas, a possibilidade de repasse dos aumentos de matérias-primas é baixa. Prova disso é o IPP de borracha e plástica, número divulgado pelo IBGE, que registrou 6,5% de aumento de janeiro a agosto de 2018”, informa em nota.

Na avaliação de um consultor da indústria, que preferiu não se identificar, ao longo do ano, os preços da Braskem vinham abaixo do chamado PPI, o preço em dólar de importação da resina, que considera a cotação internacional, frete e impostos. “Eles podem estar buscando a paridade”, afirmou.

Na nota, os transformadores de plástico se queixam da dificuldade de acesso ao mercado internacional, que seria alternativa para a compra de matérias-primas, diante dos mecanismos de defesa comercial existentes. “Nosso setor não pode, neste momento, ficar refém de empresas com alto poder de mercado e com proteções que permitem que implementem no Brasil uma política de preços totalmente desalinhada com a situação que vivemos em nossa economia”.

A Abiplast iniciou 2018 com expectativa de alta anual de 5% na produção física de transformados plásticos. Porém, reviu a projeção e agora estima crescimento de 2,5%, repetindo o desempenho verificado no ano passado, depois da queda acumulada de 20% entre 2014 e 2016. A expectativa é voltar a operar nos mesmos níveis de 2013 somente em 2023.

Procurada, a Braskem informou que “mantém sua prática de alinhamento de preços no mercado doméstico aos preços praticados no mercado internacional.”

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