RICARDO BOMFIM • SÃO PAULO

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A demanda da Braskem no Brasil cresceu no primeiro trimestre de 2018 e deve seguir forte ao longo do ano. Isso compensou, para os investidores, a redução do lucro da empresa, resultado de paralisações e do aumento de preços das matérias-primas.

Segundo a analista da Coinvalores, Sabrina Cassiano, o resultado da empresa foi muito sólido apesar do lucro vir abaixo da expectativa do mercado, uma vez que a demanda doméstica continuou em expansão. As vendas de resinas, por exemplo, foram de 886 mil toneladas, perfazendo um crescimento de 5% em relação ao primeiro trimestre de 2017. O market share foi de 68%. “No Brasil, o crescimento forte do setor automotivo contribuiu para essa demanda mais sólida”, avalia a especialista.

O lucro líquido da Braskem foi de R$ 1,05 bilhão no primeiro trimestre de 2018, queda de 42% sobre o mesmo período do ano passado, apesar do crescimento de 173% em relação ao quarto trimestre de 2017. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou em R$ 2,65 bilhões, com contração de 26% na base anual.

Para o presidente da Braskem, Fernando Musa, as operações nos Estados Unidos e na Europa foram afetadas negativamente pelo inverno rigoroso e pelo aumento do preço do propeno. “O primeiro trimestre do ano passado teve uma grade de produção muito mais simples e um quadro mais favorável para a matéria-prima”, avalia o executivo.

Além disso, algumas paralisações tiveram que ser feitas em plantas no Nordeste e nos EUA. No caso brasileiro, isso ocorreu por conta de um apagão que afetou o fornecimento de energia aos estados nordestinos. “É um contratempo grave, pois se o fornecimento de energia se interrompe, param as máquinas e a retomada da produção é demorada. No entanto, é pouco provável que o problema se repita nos próximos trimestres”, diz Sabrina.

Na opinião da analista, a evolução das vendas, mesmo com os problemas conjunturais enfrentados pela Braskem nos primeiros meses do ano, anima os investidores e sustenta previsões de que a demanda continuará crescendo em 2018. “A companhia manteve demanda e market share em um cenário desafiador. Isso é um bom sinal”, explica.

As ações preferenciais da Braskem fecharam o pregão em alta de 4,59% a R$ 46,26.