Intervenção ou extermínio?

março 16, 2018 No Comments »
Intervenção ou extermínio?

Marielle continuará presente, por meio de suas bandeiras de luta em prol dos desfavorecidos

*Isaac Wallace de Oliveira

Agora faz sentido a frase do general interventor ao sugerir que no futuro não seja aconselhável o surgimento de alguma Comissão da Verdade em relação à participação do Exército neste falso combate à violência no Rio de Janeiro.

Como é possível um estado de sítio nas comunidades onde os militares fazem patrulhamento? Quem sai para trabalhar é fotografado, quem chega passa pelo mesmo procedimento. Não importa a idade: para os soldados todos são suspeitos.

E dentro deste cenário armado pelo governo Michel Temer, a vereadora Marielle Franco (Psol) é executada no Centro da cidade. Não foi alardeada pelos telejornais que a intervenção iria trazer paz à cidade. Pelo contrário, agora a população tem medo de circular, pois para os olhos dos militares qualquer civil é suspeito.

As comunidades do Rio de Janeiro vivem o mesmo pesadelo enfrentado pelos negros da África do Sul durante o odioso regime do Apartheid. Naquela época eles precisavam apresentar autorização ao militares sul africanos para se locomover naquele país.  Com outro verniz, essa mesma regra agora é aplicada no Rio de Janeiro.

Não tenho ilusão de que o governo Michel Temer seja sensível aos problemas do povo, principalmente do trabalhador. A parcela da sociedade que ele representa sempre teve nojo da população que sobrevive do salário ganho no chão de fábrica.

O assassinato de Marielle mostra apenas a ponta de iceberg, onde existe a clara de intenção de exterminar qualquer resquício de Direitos Humanos, item que nos separa da barbárie, do olho por dente, da vingança a qualquer custo. O respeito a esses Direitos, mostram que nós ainda cremos na democracia, o regime onde possível retirar os maus políticos de todas as esferas do Legislativo.

Não tenho dúvida, Marielle continuará presente, por meio de suas bandeiras de luta em prol dos desfavorecidos, daqueles que poucos ousam defendê­los. Como fez Martin Luther King nos Estados Unidos na luta pelos direitos civis da população, prosseguiremos nesta batalha. Caiu um soldado, mas avançaremos rumo às conquistas de um mundo melhor, livre de tantas desigualdades.

*Isaac Wallace de Oliveira é presidente da Ferquimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Ramo Químico, Farmacêutico e Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro) e secretário-geral da Força Sindical RJ.

 

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