Merck Sharp & Dohme desconhece padrões de ética e integridade ao recusar receber comissão de sindicalistas para discutir irregularidades

setembro 27, 2016 No Comments »
Merck Sharp & Dohme desconhece padrões de ética e integridade ao recusar receber comissão de sindicalistas para discutir irregularidades

manifestacao-msd-44Luís Alberto Alves/Comunicação CNTQ

“Estamos comprometidos com os mais altos padrões de ética e integridade”. Esse seria o lema que rege a ética do laboratório Merck Sharp & Dohme (MSD), quando se navega no site da empresa, mas na prática a teoria é a outra, como diz o ditado popular. Segundo o presidente da Federação dos Sindicatos dos Propagandistas da Indústria Farmacêutica do Norte/Nordeste, Fernando Ferreira de Oliveira, o MSD já demitiu gestante, persegue funcionários eleitos para presidir a Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), a Comissão de Trabalhadores para acompanhar cumprimento de metas no PPR e mandar embora sindicalistas que pertençam à diretoria de entidades dos propagandistas.

manifestacao-msd-78

Silvan, Fernando e Wallace

Hoje (27), em ato de protesto realizado, das 10h às 13h, diante do escritório do MDS na Avenida Chucri Zaidan, 246, Itaim-Bibi, Zona Sul de SP, não recebeu nem enviou nenhum funcionário do RH para discutir com dirigentes sindicais que estavam local, entre os quais o presidente da CNTQ (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Químico), Antonio Silvan Oliveira. Quando os sindicalistas tentaram entrar no edifício foram barrados pela segurança particular da empresa, completamente despreparada.

manifestacao-msd-220

Comissão de Sindicalistas aguardando representantes da empresa

A Polícia Militar, presente ao local a pedido da CNTQ, coibiu tentativa de agressão que a segurança particular contratada pelo MSD tentou desferir nos dirigentes sindicais. Prova concreta da incompetência do Merck Sharp & Dohme em administrar qualquer tipo de conflito. Outra prova de insensatez foi acionar a PM para cercar a entrada do edifício, desconhecendo que no local já estava presente uma base da polícia para acompanhar a manifestação, garantida pela Constituição Federal.

Na avaliação de Silvan, será que o MSD age de forma irresponsável na produção de medicamento? Há 13 anos o mercado anual de medicamentos anti-HIV movimentou cerca de US$  6 bilhões, que subiu para  US$ 8 bilhões em 2013. A preocupação procede por que em 1996 o MSD teve o remédio Crixivan aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 1º de abril de 1996, que passou a ser distribuído, em janeiro de 1997, pelo Ministério da Saúde a pacientes soropositivos. O mesmo se repetiu com o medicamento Efavirenz, em agosto de 1999. “Se agir do mesmo modo que trata seus funcionários, os consumidores precisam ficar preocupados ao adquirir produtos do MSD”, disse.

manifestacao-msd-301O presidente da Federação Interestadual dos Propagandistas, Luís Marcelo Ferreira, disse que a tática do MSD é mandar embora dirigentes sindicais, mesmo reconhecendo que eles têm estabilidade para continuar trabalhando. “Às vezes marcam reuniões com os propagandistas em cidades distantes 300 quilômetros de onde residem e cobram deles a chegada bem cedo ao serviço”, disse.

Na opinião de Silvan, o MSD não vive na prática o que recomenda na teoria. “A diretoria de RH é insensível ao não reconhecer a necessidade de negociar. Sem qualquer jogo de cintura para buscar solução nos problemas administrativos entre capital e trabalho”, afirmou.

manifestacao-msd-192Silvan ressalta que o MSD faz propaganda enganosa no seu site ao dizer que investe na vida, e que o seu compromisso é com saúde e não com o lucro. “Mas quando demite sindicalistas e gestante acaba provando o contrário. Desconhece que a CLT e a Constituição Federal garantem o direito de organização sindical e nenhum dirigente pode ser demitido”, argumentou.

Ao tratar com truculência os trabalhadores que exercem a função de propagandistas, o MSD demonstra não ter nenhum compromisso com a imagem da empresa. “Eles são respaldados para levar a imagem, através dos medicamentos que MSD produz, junto aos médicos de diversas regiões do Brasil”, disse.

Silvan destaca que o MSD pratica na teoria uma política de RH e na prática demite, pune e comete inúmeras arbitrariedades. “É um absurdo o que estamos presenciando aqui nesta manifestação diante do escritório do MSD. Em vez de construir solução, prefere o confronto, ignorando o problema”, explicou.

manifestacao-msd-304O presidente Ferquimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Ramo Químico, Farmacêutico e Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro) e 1º vice-presidente da Força Sindical/SP, Isaac Wallace de Oliveira, alertou os diretores do MSD que a escravidão deixou de existir no Brasil desde 1888, com a publicação da Lei Áurea. “Mesmo assim, deixo bem claro aos companheiros propagandistas, que nós estamos prontos para ajudá-los. Não admitimos em nosso meio empresas escravagistas”, disse.

manifestacao-msd-225Participaram da manifestação companheiros do  Sindicato dos Aeroviários de SP, Químicos de São Carlos, Químicos de Sorocaba, Químicos de Guarulhos, Sindicato das Costureiras do Estado de SP, Fequimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Est. de SP), Ferquimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Ramo Químico, Farmacêutico e Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro), Químicos de São Gonçalo (RJ), Sindimestres, Feprovenone (Federação dos Sindicato dos Propagandistas, Propagandistas-Vendedores e Vendedores de Produtos Farmacêuticos do Norte e Nordeste), FIP (Federação Interestadual dos Propagandistas), Sindipronsp, Sinprojun, Sinprosor, Sinprovap e Sindipros-ABC.