Vamos às Olímpiadas da vergonha

julho 29, 2016 No Comments »
Vamos às Olímpiadas da vergonha

“O exemplo dos 600 funcionários sem registro na carteira de trabalho revela como pode ser o Brasil da terceirização”

*Isaac Wallace de Oliveira

A Vila Olímpica no Rio de Janeiro é o reflexo do Brasil. De um lado furtos, saques, sabotagens e vandalismo na Vila dos Atletas da Rio 2016. A mesma  enfrentada pela população na sua rotina de tentar ir ao trabalho, quando ainda continua empregada, e voltar sem ser atingida por nenhuma bala perdida. Em diversas regiões da cidade é comum assaltos e arrastões.

Nunca imaginei que uma empresa contratada pelo governo para ajudar a cuidar da segurança durante os Jogos Olímpicos, cometesse tamanho deslize: em vez preencher as 3 mil vagas, só contratou apenas 500, alegando falta de dinheiro. Mas e os recursos liberados pelo governo, quando ela venceu a licitação foi parar onde?

Dentro dessa mesma Vila Olímpica foram descobertos 600 funcionários sem registro na carteira de trabalho. Isto é um claro desrespeito às leis. Como se fossem os “temíveis” gatos que buscam pessoas nas regiões mais distantes do Brasil para trabalhar na construção civil sem registro, numa concorrência desleal com as empresas sérias que atuam neste setor.

Neste exemplo eu imagino como serão as relações trabalhistas, caso para nossa infelicidade, o projeto de terceirização se torne realidade. Não tenho dúvidas que estaremos mergulhando novamente na escravidão, desta vez, atingindo brasileiros de todas as raças.

Como pode a Vila dos Atletas da Rio 2016 sofrer saques? Há registros de furtos de chuveiros, pias, vasos sanitários, torneiras e demais equipamentos. A segurança é falha? Não! É o governo que não oferece condições dignas de trabalho para esses profissionais. E o mesmo de oferecer um carro velho, ultrapassado para disputar corrida de fórmula 1, numa pista onde só tem máquinas top de linha, que chegam a 100 km/h em fração de segundos.

*Isaac Wallace de Oliveira é presidente da Ferquimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Ramo Químico, Farmacêutico e Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro) e 2º vice-presidente da Força Sindical/RJ

 

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